
A dúvida é grande, todos que estão reformando ou construindo sabem o desespero que é entrar em uma loja de materiais para construção e se deparar com corredores infinitos, lotados das mais variadas opções de revestimentos. São cerâmicas, mármores e pedras, embora, recentemente, o que mais chama atenção e ganha tanto espaço nas prateleiras é o porcelanato. Mas o que tem este revestimento de tão especial e que vem sendo considerado o "queridinho" de engenheiros e arquitetos para os projetos residenciais e empresariais?
O porcelanato é um tipo de revestimento com matéria-prima e processo de fabricação que resulta em um produto de muito mais qualidade e durabilidade do que a cerâmica convencional. A massa, constituída de argila feldspato (elementos de sódio, potássio ou cálcio presente em rochas) e corantes, tem baixíssima absorção de água e sofre o processo de monoqueima, isto é, passa pelo forno apenas uma vez a uma temperatura que pode chegar a 1.250°C, fora ser submetida a altas pressões de compactação.
Além disso, o seu processo de exploração agride bem menos a natureza. "Ao contrário da exploração das jazidas de pedras, quando são retiradas apenas grandes chapas para a matéria-prima do porcelanato todo o material é aproveitado, sem desperdício. A área pode ser recomposta para o reflorestamento após o uso", afirma Rafael Locks, coordenador de novos produtos da Eliane, que desde 1996 fabrica sua linha de porcelanatos no País.
A diferença básica entre a cerâmica e o porcelanato é a absorção de água.
Enquanto o produto tradicional apresenta absorção menor que 6%, os porcelanatos absorvem menos que 0,5%. Por isso, o porcelanato tem alta resistência mecânica à abrasão, ao gelo e à química. Ele pode ser assentado com juntas mínimas, o que promove um acabamento mais clean e facilita a aplicação, além de ser muito fácil de limpar. A tecnologia de fabricação também possibilita a reprodução das belezas das pedras naturais.
Todas essas qualidades, porém, interferem no preço final que tem uma média maior do que a da cerâmica. No mercado, o consumidor pode encontrar três versões: esmaltada, polida e natural, nos mais variados formatos e cores. Além disso, muitas empresas trazem linhas importadas. A Gyotoku, por exemplo, comercializa com exclusividade no país 8 linhas da empresa italiana Graniti Fiandre.
A arquiteta Valéria Leitão ainda ressalta que é importante trabalhar com argamassa da mesma tonalidade do porcelanato para evitar mudanças na cor.
As empresas também estão investindo em atendimentos diretos ao consumidor, tanto residencial quanto empresarial. A Recesa tem um pacote de assentamento e manutenção da sua linha Neostone para projetos com mais de 10m². Já a Portobello oferece atendimento em suas lojas com projetos personalizados e serviços de assentamento com garantia, além de equipe técnica especializada para tirar as dúvidas.
A Eliane possui uma equipe de assistência técnica com atuação em todo o território nacional e também profissionais em lojas e showroom. E a Gyotoku oferece acompanhamento aos clientes que comprarem o sistema completo de revestimento da empresa: piso, argamassa, rejunte e limpeza.
Depois de assentado, a garantia de anos de durabilidade do porcelanato também depende da manutenção do piso. Mantenha o ambiente sempre limpo e não deixe manchas por muito tempo. Durante a limpeza é importante evitar o uso de detergentes agressivos, ácidos ou soda cáustica, bem como escovas e produtos concentrados de amoníaco que atacam o esmalte das peças e seu rejuntamento. Os fabricantes possuem itens especiais para seus produtos, tanto para a limpeza pós-obra como para a diária, mas água e sabão neutro são as indicações dos especialistas para a limpeza simples. Em caso de dúvida, a melhor opção é ligar para o Serviço de Atendimento ao Cliente da marca escolhida.
Cuidados na aplicação e manutenção
Para que o porcelanato mantenha suas características, os cuidados no assentamento e na manutenção do produto são as garantias de que o revestimento manterá sua beleza e resistência. O gerente do setor de pisos e revestimentos da Telha Norte, Nilson Brandão, dá algumas dicas para a aplicação:
- Conhecer o profissional que assentará o piso;
- Obedecer ao tempo de cura do contrapiso/emboço (em média 28 dias). É o tempo que precisa esperar para o contrapiso ficar pronto e poder ser aplicado o revestimento;
- Por sua baixíssima absorção de água, o porcelanato não deve ser molhado antes do assentamento. Deve-se apenas retirar o pó com um pano seco;
- Utilizar juntas de 2mm no caso de peças retificadas e de 5mm ou 1% do tamanho da peça, no caso de peças não-retificadas;
- Utilizar somente argamassa de assentamento industrializada. Verificar se tem efetiva adição de resinas orgânicas (argamassa colante tipo AC-3), conforme a norma NBR 14081. Para porcelanato em fachadas, o recomendado é a tipo AC-3E;
- Usar rejunte epóxi industrializado. Verificar se existe adição efetiva de resinas orgânicas, específicas para o uso em porcelanato;
- Para formatos acima de 30x30, utilizar a técnica de dupla colagem;
- Os pisos já assentados devem ser protegidos com papelão e gesso contra o tráfego abrasivo de obra, principalmente a areia para que ele não seja riscado;
- As peças devem ser preventivamente impregnadas com cera incolor, antes de aplicar o rejunte, pois quem penetrará nos poros da peça será a cera e não a sujeira, tornando-a assim, uma peça de fácil limpeza;
- Rejuntar 72 horas após o assentamento;
- Não utilizar ácido para a limpeza do revestimento.
Fonte: Casa e Cia (Uol)